Impressiona-me ver como as pessoas usam algo tão útil como o e-mail para coisas tão tolas.
Nem consigo contar quantas mensagens contendo um Hoax sobre que o voto nulo poderia anular a eleição e tornar inelegíveis todos os candidatos, forçando uma nova eleição com novos candidatos.
Qualquer ser humano que saiba usar o Google, pode achar mais informações sobre anulação da eleição e ver que na verdade a eleição pode ser anulada se mais da metada dos votos forem anulados por falta de lisura no processo eleitoral.
Mas o que se esconde nessa corrente idiota de elogio ao voto nulo é a irresponsabilidade e a preguiça do brasileiro. Vivemos a procura de soluções mágicas, que necessitem o mínimo de esforço possível e que, se possível, não possa nos envolver.
Resolver tudo com um voto nulo é uma tentação bem poderosa, não é mesmo?
Votar nulo é irresponsável por que se baseia na opinião de não participar do processo eleitoral. Significa colocar o corpo fora da decisão de escolher um governante, afinal, a culpa de ele depois ter feito um trabalho ruim vai ser sua, de ter votado nele.
Mas e se nenhum dos candidatos são capazes de assumir o cargo? Se nenhum tem condições morais de governar, o que fazer? Temos ainda o voto branco, que na prática significa a mesma coisa do voto nulo, mas que é diferentepor ser uma opção institucionalizada para que o cidadão se negue a votar nos candidatos elegíveis.
Mas não adianta por a culpa na falta de candidatos, pois entro na segunda questão: o voto nulo é a declaração de preguiça do brasileiro, que não se envolve, não se filia a partidos, não se candidata e entra na luta para um mundo melhor. Os corruptos que hoje nos governam são eleitos por que são insistentes e não medem esforços para manterem suas estruturas de roubo e desvio do dinheiro público.
Temos um sistema eleitoral em que as pessoas precisam se mobilizar, trabalhar e realizar um enorme esforço para agregar forças para conseguir ao menos se candidatar. Mas a grande maioria dos que estão disposto a isto são aqueles com más intenções.
Se não fosse a preguiça do brasileiro, teríamos sociedades de amigos de bairros fortes, atuantes e firmes na luta. Mas todos os que criticam quando veêm o senado tendo férias de 60 dias, não se dispõe a ir a uma reunião mensal para discutir os problemas do bairro. Em cidades como Campina Grande, onde moro, não vemos nenhum destes que vivem com a boca cheia de lamúrias sobre o governo indo às reuniões do Orçamento Participativo.
Atuar na nossa sociedade como agentes fiscalizadores e construtivos não é uma opção ou “dom”, é uma obrigação!
Não devemos pensar que nossa obrigação é apenas votar nos dias indicados. A nossa responsabilidade com a nossa geração vai desde nossos valores morais e éticos até participação em conselhos e entidades contra a corrupção. Participar da SAB ou frequentar suas reuniões já é um começo.
Creio que o primeiro passo é dedicar alguma hora do seu dia para orar e suplicar a Deus pelos atuais governantes:
Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, interecessões e ações de graça por todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.
Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. I Timóteo 2:1 a 4
Mas orar é o primeiro passo. Precisamos nos envolver com as questões que nos rodeiam, pois existe um mundo aqui fora e embora desejemos estar alienados da realidade, as coisas são bem feias. Quantas vezes vemos Deus julgar os líderes do seu tempo por viverem uma vida “espiritual”, não deixando de cumprir os ritos religiosos, mas se tornando alvo da ira de Deus por não defender o direito dos oprimidos e amparar os que necessitam de apoio.
Não conseguiremos nunca acabar toda a desigualdade e a opressão que há no mundo, mas devemos lutar sabendo que um dia o próprio Senhor irá vir vingar toda essa injustiça:
“Eu virei a vocês trazendo juízo. Sem demora testemunharei contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente e contra queles que exploram os trabalhadores em seus salários, que oprimem os órfãos e as viúvas e privam os estrangeiros dos seus direitos, e não tem respeito por mim”, diz o SENHOR dos Exércitos.
Outubro 9, 2006 às 11:13 pm
Muito bom, a gente fala muito dos políticos mas pouca gente ora por eles, bem lembrado :]